Nosso blog, ressalta o meio ambiente e coisas afins.
Pode ser que alguém considere o texto abaixo como político, mas não é essa a intenção. Na realidade a intenção é que tenhamos um meio ambiente saudável para todos os seres viventes, e da forma que foram tomadas atitudes como as que repassamos abaixo, temos consciência que muitos seres semelhantes a nós serão afetados de várias formas.
Uma mata não é questionada quando se vai fazer uma queimada, um animal não é questionado no abatedouro, uma hortaliça não é consultada se quer reproduzir ou virar alimento, apenas é colhida e dessa forma encerra seu ciclo.
Mas nós seres humanos, podemos fazer alguma coisa mais coerente, pois temos o direito de defesa denominado título de eleitor.
Fraterno abraço a todos ! ! !
Senhor da Floresta.
Itamaraty não tem ato secreto. É tudo às claras
Embora nunca tenhamos sentido a menor falta, o Brasil já conta com
importante representação diplomática em Bamako. Não sabe o prezado
leitor onde fica? Ora, Bamako é a trepidante capital do Mali, nação da
África ocidental. Fala-se francês por lá, já que nos anos 1880 foi
possessão francesa.
Se o querido leitor não tiver achado Bamako importante podemos ampliar
a oferta. Que tal Baku, capital e porto do Azerbaijão? Talvez
Belmopan, onde temos igualmente vigorosa presença diplomática.
Belmopan, apesar de capital, é sossegada cidade de menos de 15 mil
habitantes, no distrito de Cayo, Belize.
Temos mais. Na verdade, temos mais de quarenta países nos quais o
Brasil abriu embaixadas e consulados-gerais nos últimos dois anos.
Lugares como Basse-Terre, Castries, Conacri, Cotonou, Cartum,
Gaborone, Malabo, Novakchott, Roseau, St. Georges, St. John’s ou
Uagadogu (só por curiosidade, é a capital de Burkina Fasso), entre
outros. A maioria, certamente, só o chanceler Amorim alguma vez na
vida ouviu falar.
Mas não se pode dizer que padeça o Itamaraty da falta de sizo do
Senado. Não se verá, no ministério de Celso Amorim rastros de atos
secretos ou bandalheiras tão em voga hoje no Congresso. Nada disso.
Tudo o que ali se faz é estampado com todas as letras no Diário
Oficial. O problema é que algumas dessas novidades são produzidas com
o formato das batatas, outras a cor e a aparência das laranjas. Como
legumes e frutas não se somam, apenas aos iniciados é dado perceber o
que sai da caneta do ministro. O que aqui se mostra, portanto, é a
manifestação dos corredores do Itamaraty.
Essa farra de embaixadas, por exemplo, faz parte da senda brasileira
pelo mundo pobre. De quebra, se junta à obsessão por ocupar lugar
permanente no Conselho de Segurança da ONU. Como se China, Rússia e
Estados Unidos aceitassem a idéia. E se topassem, digamos, aumentar em
duas as cadeiras, o Japão e a Alemanha fossem ficar de fora para dar
vez ao Brasil.
Mas, se para fora essa festa esbarra no mundo real, para dentro
resulta em assalto ao bolso da pobre viúva. A escolha de nomes para o
primeiro posto dessas embaixadas e consulados gerais não chega a ser
problema. Ninguém chega a ir amarrado, mas o escolhido geralmente
recebe o posto como missão. Para os demais cargos, no entanto, o
exercício é penoso.
Dificilmente alguém que enxergue futuro na diplomacia se dispõe a
queimar um pedaço da vida num fim de mundo. Principalmente porque, num
lugar desses, a menor distração transforma o indigitado em peça de
almoxarifado. Quem aceita, embarca com a passagem de volta no bolso.
Nada além de noventa dias. O segredo aí é que, por um período desses,
além do salário ganham-se diárias. Um belo punhado de dólares que dá
para viver direito, enquanto o salário se soma à poupança.
Mas não só em direção ao desterro movem-se os destinos no Itamaraty.
Cuida-se ali também da vida afetiva dos escolhidos. Ano passado, por
exemplo, Antônio José Ferreira Simões, lotado no gabinete de Amorim,
foi feito embaixador em Caracas. Até aí, tudo bem. Pouco depois,
porém, o Brasil abriu um consulado-geral em Caracas. Quem foi nomeado
para o posto de cônsul? Ora, Mariangela Rebuá de Andrade Simões, a
senhora Ferreira Simões.
Também em 2008, o Brasil formalizou sua representação junto à
Organização Mundial do Comércio, a OMC. Para comandá-la foi escolhido
Roberto Carvalho de Azevedo. Só pessoas muito maldosas acreditam que a
escolha de Roberto para o posto guarda relação com o fato de Maria
Nazareth Farani Azevedo, chefe de gabinete do ministro, ter assumido o
comando da delegação brasileira na ONU ( ? ), ambos serem casados e as
duas delegações funcionarem na mesma cidade, Genebra.
Claro que deve ser absoluta coincidência, mas fenômeno semelhante
ocorreu com a designação, este ano, de Regina Maria Cordeiro Dunlop
para a delegação brasileira na ONU, entidade que, como se sabe, tem
sede em Nova York. Com Regina Maria no posto, o Brasil sentiu falta de
um consulado-geral na região. Instalou-o no distrito de Hartford,
estado de Nova York, e botou a comandar o lugar Ronaldo Edgar Dunlop,
casualmente marido de Regina Maria. (PS - No meu tempo havia consulado
em Nova York mesmo, na 5ª Avenida).
Mas não só de arranjos domésticos vive o Itamaraty. Pouco se fala para
fora de Brasília, mas já se torna visível ao mundo, por exemplo, o
talento da diplomacia brasileira no mercado imobiliário. Em apenas
duas investidas na área o ministério de Amorim garantiu para o próximo
governo uma herança difícil de esquecer. Em Nova Delhi, comprou por
cinco milhões de dólares o terreno (atenção: só o terreno) onde, um
dia, construiremos a embaixada. Em Genebra, pagou quarenta (atenção:
quarenta) milhões de dólares pelo prédio que abrigará as
representações brasileiras. A soma dos dois eventos surpreendeu até
funcionários habituados à largueza de gestos da nossa diplomacia. Nem
a secretaria-geral do Senado seria capaz de tamanho feito.
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