PRECAUÇÕES E REMÉDIOS
Quando uma obra está no ápice da intensidade, de proporções, de qualidade de execução, produz-se um fenômeno espacial indizível: o conjunto começa a irradiar fisicamente. É algo que pertence ao domínio do inefável.
Edouard Le Corbusier
Certamente são em grande número as pessoas sensatas que negam, com serena firmeza, sem inquietude nem reticência, a possi¬bilidade de que existam casas maléficas. Os tapa-olhos da razão impedem-nos de ver a evidência irracional que brilha de um e outro lado de seu campo de visão. Mesmo quando são pessoalmente vítimas de uma casa que lhes acarrete desgraças, que as faça ficar doentes ou as consuma a fogo lento, essas pessoas continuarão afirmando imperturbavelmente que semelhante malefício é impos¬sível!
Tanto pior para elas! De minha parte, renuncio desde já a convencê-Ias. Porém, para não me sentir culpado do delito de não prestar assistência a quem se acha em perigo, dedico-lhes especial¬mente este capítulo, que trata das precauções que devem ser adotadas antes de construir ou habitar uma casa e também dos remédios que devem ser aplicados quando por desgraça vive-se numa casa maléfica.
Camada de chumbo e malha de cobre
Antes de comprar uma casa é de grande utilidade saber com exatidão sua composição. Com efeito, já sabemos que os terrenos permeáveis, dielétricos (quer dizer, compostos de areias, cascalhos, grés etc.) são preferíveis aos solos impermeáveis (quer dizer, argilas, margas, gretas etc.). O exame geológico deixará claro este ponto importante.
Depois é preciso consultar um radiestesista para saber se alguma corrente nociva atravessa o terreno, quer na superfície, quer subterraneamente. No caso afirmativo, o passo seguinte será precisar a origem e a causa de tal radiação: presença de um elemento radiativo no subsolo, curso de água subterrâneo, falha geológica, caverna ou galeria ionizada etc.
Se as conclusões do radiestesista e do geólogo concordarem em considerar o terreno insalubre ou maléfico, o mais inteligente é renunciar ao projeto de erguer uma casa naquele local.
Mas, se em nenhum dos dois informes aparecer o menor traço de contra-indicação ou se os sintomas de nocividade descober¬tos forem débeis, isto não deverá em absoluto induzir a cometer o erro de considerar que já não há por que se preocupar. Nem sequer será então demais adotar, no decurso da construção, determinadas precauções que permitam proteger-se contra a possível aparição ou recorrência de alguma corrente telúrica perturbadora.
O importante sempre é estabelecer uma tela protetora eficaz entre o lugar onde se habita e a fonte real ou eventual das radiações nocivas. Para tanto, o melhor sistema consiste em estender uma camada de chumbo por debaixo dos alicerces da casa, com o que se obtém um isolamento perfeito. Claro que, com isto, o orçamento da obra aumentará um pouco. Para economizar, pode-se recorrer a um substituto, colocando uma folha de papel encerado só no lugar das camas; assim, pelo menos, a proteção do adormecido (situação na qual a pessoa é mais vulnerável do que desperta) estará garantida na futura casa.
Entretanto, este sistema protetor sofre de um defeito bastante grave e que é que, a longo prazo, depois de muitos anos de uso, o chumbo acaba saturado de radiações nocivas e não constitui mais uma tela protetora; ao contrário: transforma-se em verdadeiro acumulador de nocividade, cuja virulência inclusive aumenta à medida que se descarrega.
Para evitar este inconveniente, meu arquiteto aconselha aplicar sobre o solo uma ligeira camada de cimento na qual se mistura previamente um pouco de enxofre, cal e carvão vegetal.
Se se quiser uma garantia adicional de proteção, pode-se colocar na camada de cimento uma trama de cobre eletrolítico, que fará as vezes de antena; mas não se esqueça de que, no extremo norte da malha, deve-se deixar um cabo solto para que atue como fio de terra. Destarte, o pavimento de chumbo não se saturará nunca, posto que as radiações nocivas, em lugar de serem absorvidas por ele, serão imediatamente devolvidas à terra.
Uma balsa de azeite virgem
A precaução que acabo de recomendar resulta útil em todos os casos, inclusive para os mestres de obra que não crêem na realidade das radiações nocivas suscetíveis de perturbar o ambiente de uma casa. De fato, uma rede de fios de cobre com aterramento estendida ao longo das paredes ou debaixo do piso servirá, no mínimo, para descarregar a eletricidade estática que se forma nas colméias de concreto de hoje, por abrigar uma multidão de fam11ias e que são as responsáveis por quase todos os males que abatem os infortunados ocupantes de semelhantes gaiolas de Faraday.
E ainda existe outra vantagem não menos importante: a rede de fios de cobre, incorporada às paredes e pisos, impede (segundo parece) que a umidade ascenda, por capilaridade, do solo para a casa.
Não tomar estas precauções mínimas é, francamente, um ato criminoso. Todo arquiteto consciente de sua responsabilidade deveria adotá-Ias. E, se se nega - por desafio, ceticismo, leviandade ou avareza -, dever-se-ia aplicar-lhe a sanção que reclamava Fernand Pouillon contra seus colegas culpados de “produzir a fealdade”: condená-los a viver durante vinte anos naquilo que eles mesmos construíram. Então veríamos em que estado se encontrariam quando houvesse expirado sua pena!
Agora que cumpri com meu dever, quer dizer, que já reco¬mendei os melhores remédios oferecidos pelos profissionais da construção, eis qual é meu conselho que, está claro, não é o de um ourives; vou explicar o que faria eu, para mim, se fosse milionário e quisesse proteger meu palácio contra todo ataque, por mais fraco que fosse, das radiações nocivas: eu o construiria flutuando em meio a uma balsa de azeite de oliva virgem que tivesse uma profundidade de sessenta centímetros.
Não ter televisão de frente
Para não ser parcial, devo mencionar com absoluta sinceridade que, dentre as causas das nocividades suscetíveis de perturbar os habitantes de uma casa, a corrente elétrica de 220 Volts não é das menos perigosas.
Nos modernos imóveis de concreto armado acontece com freqüência que essa corrente produza radiações magnéticas perpendiculares ao circuito não protegido por um tubo blindado, e particularmente nas tomadas onde não haja nenhum aparelho ligado.
Muitos casos de insônia são provocados por simples fios elétricos, ou mais comumente por tomadas situadas na cabeceira da cama e que irradiam ondas estacionárias cuja nocividade é comple¬tamente ignorada. Mas a insônia não é a conseqüência mais grave que pode ser acarretada pela corrente de 220 Volts que passa por dentro das paredes de concreto. A freqüência vibratória do campo eletromagnético assim criado pode alterar seriamente a saúde dos moradores, provocando em particular depressões nervosas. Os animais domésticos que vivem no apartamento também serão afetados.
Por fim, é preciso assinalar que o tubo catódico dos aparelhos de televisão emite, quando funciona, raios alfa, beta e gama que podem ser perigosos para os espectadores, em especial mulheres grávidas. É fácil, pois, deduzir a importância do seguinte conselho: não se coloque nunca frente à tela da televisão; sente-se em posição oblíqua, fora de seu campo de ação máxima.
Alguns televisores estão equipados com camadas protetoras de chumbo, que eliminam os raios alfa ê beta; mas os raios gama trespassam qualquer proteção e não só cansam a vista perigosamente, mas também podem prejudicar o estado geral de saúde.
Para proteger contra esta forma de perturbação ultra-moderna, cujo vetor é a corrente de 220 Volts, existe um dispositivo muito simples - chamado “aspira-ondas” - e que só requer ser colocado sobre o relógio da eletricidade. Trata-se de um emissor de “ondas de forma” magnéticas que se propagam através de todo o circuito pelos isolantes dos fios bipolares e que neutralizam, por compen¬sação, as radiações perpendiculares ao circuito não protegido por um tubo blindado. Esta emissão magnética, de forma, propaga-se tanto com o relógio aberto quanto com o relógio fechado.
Finalmente, não quero concluir este tópico sem sublinhar que só a corrente de 220 Volts é nociva e, com toda a probabilidade, cancerosa. A de 110 Volts não participa de tais inconvenientes. Deve surpreender-nos o fato de que seja precisamente a corrente da voltagem perigosa a mais utilizada?
PRECAUÇÕES E REMÉDIOS
Quando uma obra está no ápice da intensidade, de proporções, de qualidade de execução, produz-se um fenômeno espacial indizível: o conjunto começa a irradiar fisicamente. É algo que pertence ao domínio do inefável.
Edouard Le Corbusier
Certamente são em grande número as pessoas sensatas que negam, com serena firmeza, sem inquietude nem reticência, a possi¬bilidade de que existam casas maléficas. Os tapa-olhos da razão impedem-nos de ver a evidência irracional que brilha de um e outro lado de seu campo de visão. Mesmo quando são pessoalmente vítimas de uma casa que lhes acarrete desgraças, que as faça ficar doentes ou as consuma a fogo lento, essas pessoas continuarão afirmando imperturbavelmente que semelhante malefício é impos¬sível!
Tanto pior para elas! De minha parte, renuncio desde já a convencê-Ias. Porém, para não me sentir culpado do delito de não prestar assistência a quem se acha em perigo, dedico-lhes especial¬mente este capítulo, que trata das precauções que devem ser adotadas antes de construir ou habitar uma casa e também dos remédios que devem ser aplicados quando por desgraça vive-se numa casa maléfica.
Uma balsa de azeite virgem
A precaução que acabo de recomendar resulta útil em todos os casos, inclusive para os mestres de obra que não crêem na realidade das radiações nocivas suscetíveis de perturbar o ambiente de uma casa. De fato, uma rede de fios de cobre com aterramento estendida ao longo das paredes ou debaixo do piso servirá, no mínimo, para descarregar a eletricidade estática que se forma nas colméias de concreto de hoje, por abrigar uma multidão de fam11ias e que são as responsáveis por quase todos os males que abatem os infortunados ocupantes de semelhantes gaiolas de Faraday.
E ainda existe outra vantagem não menos importante: a rede de fios de cobre, incorporada às paredes e pisos, impede (segundo parece) que a umidade ascenda, por capilaridade, do solo para a casa.
Não tomar estas precauções mínimas é, francamente, um ato criminoso. Todo arquiteto consciente de sua responsabilidade deveria adotá-Ias. E, se se nega - por desafio, ceticismo, leviandade ou avareza -, dever-se-ia aplicar-lhe a sanção que reclamava Fernand Pouillon contra seus colegas culpados de “produzir a fealdade”: condená-los a viver durante vinte anos naquilo que eles mesmos construíram. Então veríamos em que estado se encontrariam quando houvesse expirado sua pena!
Agora que cumpri com meu dever, quer dizer, que já reco¬mendei os melhores remédios oferecidos pelos profissionais da construção, eis qual é meu conselho que, está claro, não é o de um ourives; vou explicar o que faria eu, para mim, se fosse milionário e quisesse proteger meu palácio contra todo ataque, por mais fraco que fosse, das radiações nocivas: eu o construiria flutuando em meio a uma balsa de azeite de oliva virgem que tivesse uma profundidade de sessenta centímetros.
Não ter televisão de frente
Para não ser parcial, devo mencionar com absoluta sinceridade que, dentre as causas das nocividades suscetíveis de perturbar os habitantes de uma casa, a corrente elétrica de 220 Volts não é das menos perigosas.
Nos modernos imóveis de concreto armado acontece com freqüência que essa corrente produza radiações magnéticas perpendiculares ao circuito não protegido por um tubo blindado, e particularmente nas tomadas onde não haja nenhum aparelho ligado.
Muitos casos de insônia são provocados por simples fios elétricos, ou mais comumente por tomadas situadas na cabeceira da cama e que irradiam ondas estacionárias cuja nocividade é comple¬tamente ignorada. Mas a insônia não é a conseqüência mais grave que pode ser acarretada pela corrente de 220 Volts que passa por dentro das paredes de concreto. A freqüência vibratória do campo eletromagnético assim criado pode alterar seriamente a saúde dos moradores, provocando em particular depressões nervosas. Os animais domésticos que vivem no apartamento também serão afetados.
Por fim, é preciso assinalar que o tubo catódico dos aparelhos de televisão emite, quando funciona, raios alfa, beta e gama que podem ser perigosos para os espectadores, em especial mulheres grávidas. É fácil, pois, deduzir a importância do seguinte conselho: não se coloque nunca frente à tela da televisão; sente-se em posição oblíqua, fora de seu campo de ação máxima.
Alguns televisores estão equipados com camadas protetoras de chumbo, que eliminam os raios alfa ê beta; mas os raios gama trespassam qualquer proteção e não só cansam a vista perigosamente, mas também podem prejudicar o estado geral de saúde.
Para proteger contra esta forma de perturbação ultra-moderna, cujo vetor é a corrente de 220 Volts, existe um dispositivo muito simples - chamado “aspira-ondas” - e que só requer ser colocado sobre o relógio da eletricidade. Trata-se de um emissor de “ondas de forma” magnéticas que se propagam através de todo o circuito pelos isolantes dos fios bipolares e que neutralizam, por compen¬sação, as radiações perpendiculares ao circuito não protegido por um tubo blindado. Esta emissão magnética, de forma, propaga-se tanto com o relógio aberto quanto com o relógio fechado.
Finalmente, não quero concluir este tópico sem sublinhar que só a corrente de 220 Volts é nociva e, com toda a probabilidade, cancerosa. A de 110 Volts não participa de tais inconvenientes. Deve surpreender-nos o fato de que seja precisamente a corrente da voltagem perigosa a mais utilizada?
Extraído do Livro casas que Matam - Roger de Lafforest