A Evolução
A natureza, sob determinados aspectos, cria através da evolução. Bohm já havia manifestado, na sua teoria, assertivas muito originais como: “somos capazes de ordenar o que fazemos, podemos desempenhar um papel funcional na produção de uma ordem superior, que seria inviável sem nós. Não apenas a modificamos levemente, mas, principalmente, embora provoquemos minúsculas mudanças no todo, isso é crucial para que essa ordem possa transformar-se em algo novo, capaz de por em ação o seu potencial… Somos parte do movimento, não há separação entre e ele; somos parte da maneira com que se molda a si próprio”.
O Gênesis – A Criação do Universo
“A idéia atual do universo pode representar algum estágio de um universo maior, um universo de luz. Até onde podemos perceber, esse universo de luz é eterno. Entretanto, a certa altura, alguns desses raios luminosos se juntaram e produziram a grande explosão – o Big-Bang. Isso desencadeou o nosso universo, que também terá um fim”.
O cientista especifica onde está situado este universo luminoso – além do tempo – o que pode significar que existam outros universos além do nosso, com várias idades, várias eternidades, e necessariamente, não serão sucessivos.
Descartes, na física, vê o movimento como sendo uma entidade ou qualquer coisa que se mova de um ponto a outro. O holomovimento de Bohm não concorda com o pensamento cartesiano, o seu holomovimento é MANIFESTAÇÃO e NÃO-MANIFESTAÇÃO. Nele, a ordem implícita se torna MANIFESTA e NÃO MANIFESTA e assim por diante.
O Universo Pensa? Criação e Seleção
Sendo a ordem explícita – o universo de luz – a FONTE de toda a manifestação, podemos supor que, talvez, o universo PENSA, ou algo assim… O universo tenta uma variedade de formas. A seleção natural explica como as coisas sobrevivem depois de sua emergência ou aparição, mas não explica porque tantas formas surgiram. Parece existir uma tendência em produzir formas e estruturas, sendo a sobrevivência ou seleção natural um mero mecanismo que escolhe as formas destinadas a durar. Toda forma incompatível consigo mesma ou com o meio ambiente está fadada ao desaparecimento. Penso que o universo aprende”.
A Produção de Formas
Bohm: A semente: energia e nutrientes vêm do sol, doar, da terra, da ´água e do vento, mas a própria semente tem pouquíssima energia. No entanto, possui a forma da planta e essa minúscula energia ou forma se imprime em todos os outros fatores para produzir a planta. Essa pitada de energia governa, de algum modo, o desenvolvimento subseqüente, de modo que o sistema inteiro se destina à produção e uma planta e não d um cão, de um gato ou de outra coisa qualquer… Pensamento e matéria são ordens muito parecidas. Podemos dizer que a natureza ou a matéria também é criatividade e pensamento intuitivo. Assim, num certo sentido, a natureza tem vida. E inteligência. Ela é mental e material, como nós. Se alguém é percebido como inimigo, a matéria se organiza de maneira diferente do que o faria caso se tratasse da percepção de alguém amistoso. O elétron faz praticamente o mesmo que nós, ao reagir a determinada situação. Ele observa o ambiente.
O Que Seria a Matéria para Bohm?
Bohm, falando sobre a metáfora existente no misticismo: iluminado, iluminação, fez-se a luz - chega a uma conclusão muito importante sobre a origem da matéria à luz da física moderna.
Bohm: “Quando um objeto se aproxima da velocidade da luz, segundo a relatividade, seu espaço interno e seu tempo interno mudam; o relógio se atrasa em relação a outras velocidades e a distância é encurtada. Descobre-se que as duas extremidades do raio luminoso não guardam tempo ou distância entre si, representando conseqüentemente um contato imediato (esclarecido pelo físico G. N. Lewis nos anos 20). No ponto de vista da moderna teoria de campo, os campos fundamentais são os dotados de energia superior, em que a massa pode ser negligenciada; eles poderiam se mover à velocidade da luz. A massa é um fenômeno originado da conexão dos raios luminosos em seu avanço e recuo, uma espécie de consolidação num dado esquema. Então, é como se a matéria fosse luz consolidada, congelada. A matéria não se constitui apenas de ondas eletromagnéticas, mas, num certo sentido, de outros tipos de ondas que avançam à mesma velocidade. Portanto, toda a matéria é condensação de luz em esquemas que avançam e recuam a velocidades médias, inferiores à da luz. O próprio Einstein teve vislumbres dessa idéia. Diríamos que vir à luz, significa assumir a atividade fundamental onde a existência se embasa, ou, pelo menos, aproximar-se disso”.
“A luz é o meio através do qual o universo inteiro se concentra em si mesmo… É uma condição real, pelo menos no quadro da física… A luz é energia, informação. Conteúdo, forma e estrutura. É o potencial de tudo”.
David Bohm preocupou-se com o tema da “consciência” e o fez de uma forma tão magistral que, resguardando-se a essência da sua interpretação, segundo a sua teoria, o neurofisiologista Antonio Damásio teve nele um precursor de monta: Bohm acreditava na consciência como não apartada da matéria e do processo neurofisiológico. Muitos dos leitores estarão curiosos em saber o que os colegas de David Bohm, os cientistas da física, pensariam sobre toda esta teoria que reunimos aqui.
Bohm: …”A física moderna não passa de um sistema destinado a computar e fornecer resultados empíricos. De fato, considero que toda a idéia nova deve pressupor o livre jogo da mente, sem demasiada consideração pelos resultados empíricos”.
Perguntado se os físicos convencionais aceitariam a sua teoria, Bohm respondeu – Eles já aceitaram, mas acrescentou também que eles diziam-lhe o seguinte: “Para que serve? Não produz nada diferente daquilo que já fizemos. Só nos interessam resultados empíricos. – Levá-la-emos em consideração quando começar a fazê-lo, levaremos tudo em consideração”.
O físico lamentou então “um dos erros da ciência”, também os estendendo à nossa sociedade: “O resultado empírico como principal objetivo é o que apresenta como verdade, desde que tenha por trás de si argumento lógico-matemático”.
Consensos
“O elétron “observa”, “presta atenção”, reúne informação a nosso respeito, a respeito do universo inteiro. Apreende o universo e responde de acordo com essa apreensão. Portanto, num sentido literal: ele observa”.
“O ensino da física decaiu muito; foi se tornando cada vez mais dogmático e mecânico, o que é lamentável. Todas as questões candentes dos anos 30 se desvaneceram completamente. O que se faz hoje é apresentar fórmulas aos estudantes e declarar: “Isso é a mecânica quântica”. E assim a nova geração vai escrevendo livros sem uma base sólida, esquecendo as profundas questões filosóficas que sempre foram o sustentáculo da abordagem total da física”.
“Observando a natureza, veremos que formas elaboradas e complexas não podem ser explicadas pela mera exigência da sobrevivência. Se nossa noção de tempo postula a criatividade de cada momento, então, a todo o momento, é possível que surjam novas estruturas, coexistindo com algumas antigas. Podemos então dizer que a natureza está constantemente explorando novas estruturas de maneira intencional, e, quando estas se mostram capazes de sobreviver (mediante processo de reprodução), tomam corpo e se tornam estáveis”.
“Antes da grande explosão – Big-Bang – não existiam moléculas, quarks e átomos, segundo declara a física moderna. Se pois afirmamos que havia leis fixas e imutáveis que regiam moléculas e átomos, o que acrescentaremos se remontarmos ao tempo onde eles sequer existiam? A física nada tem a dizer sobre isto. Só pode declarar que, num determinado estágio, essas partículas se formaram. Portanto, deve ter havido um desenvolvimento real em que a necessidade se fixou mais e mais num determinado campo. Vê-se isso quando se esfria uma substância que se liquefaz: primeiro aparecem grumos líquidos transientes, que depois vão se consolidando. Os físicos explicam isso alegando que as leis das moléculas são eternas; as moléculas são meras conseqüências dessas leis, meras derivações delas”.
Recuando no tempo perguntamos: “Onde estavam as moléculas? A resposta é: Bem originalmente, prótons e elétrons, que eram originalmente quarks, que eram originalmente subquarks… E chegamos ao estágio em que nenhuma dessas unidades existia e no qual esse esquema todo se esfuma! Pode-se então dizer que, em geral, os campos de necessidade não são eternos: estão constantemente se formando e desenvolvendo”.
“Além de clara e profunda, a teoria de Bohm tem o mérito de poder ser considerada a primeira, em todos os tempos, a revelar e provar no plano científico, algumas verdades seculares que até então podiam apenas ser aceitas e compreendidas pela fé”. Eduardo C. Borgonovi.
Bibliografia:
· Diálogos com Cientistas e Sábios –Renèe Weber ed. Cultrix
· O livro das Revelações – Eduardo Castor Borgonovi – ed. Alegro
· Krishnamurti, & D. Bohm – Truth and Actuality – Victor Gollanez Ltd.
· A Totalidade e a Ordem Implicada – David Bohm – São Paulo – Cultrix.