Esta é uma frase que já ouvimos diversas vezes, embora nossa percepção de erro ainda seja negativa. Nossa tendência quando alguém erra é de minimizar, ridicularizar, criticar ou punir. Os americanos focam um pouco mais no lado positivo, nas “lessons learned” mas, mesmo assim, o lado negativo ainda é predominante. Vamos entrar mais a fundo nisto, com o objetivo de mudar nossa percepção e, consequentemente, comportamento frente aos erros.
Se você acredita na teoria da evolução de Charles Darwin, sabe que o ser humano resultou de um processo evolutivo de multiplicação e recombinação genética feito pelo DNA e RNA. Ainda lembro, dos tempos de cursinho, da famosa máxima A com T, C com G, que se refere à ligação química entre as bases nitrogenadas Adenina, Timina, Citosina e Guanina. Apenas estas quatro substâncias, alinhadas sobre um “suporte” em uma sequência aleatória de milhões de unidades, são responsáveis pela transmissão das nossas características aos nossos descendentes.
Ocorre que, por mais perfeito que este processo seja, em uma ou outra ocasião uma das substâncias fica sem par, ou se encaixa com duas outras, ou com uma diferente daquela que é sua correspondente. Em outras palavras, há erros neste processo. O mais interessante é que, devido a estes erros, os novos indivíduos formados apresentam características ligeiramente diferentes das de seus ancestrais. Quando são benéficas, ou seja, auxiliam o indivíduo no que tange a sua relação com seu meio ambiente, elas tendem a se repetir. Sabe o que isto quer dizer? Que nós somos produtos de erros que, ao longo dos milhares de anos de evolução, fizeram com que melhor nos adaptássemos às condições de vida em nosso planeta. O aproveitamento destes erros como experiência e “aprendizado genético” possibilitou nossa continuidade através dos tempos.
Errar é muito mais humano do que se pensa. Sem erro não há evolução, e o homem não teria chegado ao estágio onde está. Os cientistas já sabem disto há tempos, uma vez que a metodologia da tentativa e erro é amplamente praticada para testar novas teorias e hipóteses. Muitas invenções surgiram do aproveitamento de erros, como a lâmpada e o post-it.
Cabe a nós, então, encararmos o erro - principalmente o dos outros - como parte integrante do processo de aprendizado, como algo positivo que leva à novas idéias e não ficarmos focando no lado negativo através de reclamações, desculpas e sentimentos de raiva e frustração. Será que vamos aprender isso algum dia? Creio que o próprio DNA se encarregará disto através de novas recombinações.